domingo, abril 22, 2007

23 Outubro de 2004

Gala de kickboxing

21h10m - Desisto da ideia de ver o Sporting-Belenenses na TV e vou até um gala de kickboxing, no Arena de Lisboa, ao pé do Jardim do Tabaco. O grande combate da noite era o Max (Francisco Maximiano) face ao francês Wallid Haddad, campeão gaulês. Acabou no final do segundo round, com a desistência forçada de Max, lesionado numa omoplata e na perna direita, que apresentava um extenso edema. O francês castigou Max de forma intensa e o público ficou frustrado com a brevidade do combate. Max saiu ao colo e o guarda-redes sportinguista Nelson (que foi entregar os prémios) lá entregou o troféu de vencedor ao francês. A menina que assinalava o início dos “rounds” era uma estreante, de sorriso radioso.
Grande sensação foi a presença de Manuela Moura Guedes, que se aguentou até ao final da gala, mesmo depois da vitória de Pedro Koll (Sporting), de cuja família é amiga. Depreendo eu e só posso depreender correctamente. O “Fisga” (treinado por Fernando Fernandes, que regressará às lides a 6 de Novembro) é espectacular e mantém um ar muito discreto antes e depois dos combates. Parece que não é nada com ele.

24h - Saio com o meu amigo Amílcar Teixeira, repórter fotográfico da extinta “Gazeta dos Desportos”. Pomos a conversa em dia, bebemos um copo e vou a pé até à casa dele. Não chovia. O rapazinho continua a pescar e disse-me que apanhou um pargo de 2,860 quilos porque tem um carreto Stella Shimano 7000 XA, de 16 rolamentos, com WC, cozinha e três ensolaradas.

O Amílcar é um grande cromo e um bom amigo. Foi ele que me recebeu na Gazeta em Agosto de 87, pondo-me à vontade. Recordo com particular saudade o dia em que fomos entrevistar o goleador holandês Peter Houtman, a Cascais. Estava o Amílcar a tirar-lhe a foto para a capa, máquina numa mão, saco a tiracolo, quando o poderoso canídeo do goleador (um boxer de nome Urban, assustador mas bom camarada) resolveu empreender uma tentativa de sexo, atacando o Amílcar à má-fila, por trás. O Amílcar teve um bocado de dificuldade em resolver a situação. Os braços ocupados com o material e o enorme boxer no seu truca-truca virtual. Nem eu nem o Mário Pereira (que também foi connosco) nos quisemos intrometer na situação.
Passado um bocadinho o filho do Peter Houtman (um lourinho de uns três anos) estava muito entretido a chutar uma bola de praia contra o focinho do cão, que resolveu emigrar para o meu colo, para obviar à chatice. De modo que eu estava a entrevistar o Peter Houtman de braço completamente estendido e um boxer ao colo. Só deixou o meu colo quando o filho do Houtman o abalroou com um triciclo.
Presumo que o cão estivesse a pensar algo do estilo:
“Caralho para o puto! Nestas merdas deviam deixar-nos aviar uma pedagógica dentadinha”.
Olha, eu, por exemplo, tenho uma cicatriz de boxer na mão direita. Tinha 12 anos e o “Sir” resolveu arquivar a minha mão, a fundo perdido. Tiveram de lhe abrir a boca e puxar-me a mão, que já estava dormente. Anos depois, em 1991 ou 1992, fui mordido em plena Federação de Futebol pela mascote “Leão”, ao pé do elevador.
Aplicando a máxima “Não se foge com a mão, que pode rasgar e é pior” levei três dentadas em vez de uma. Gostava de conhecer o cabrão que inventou essa teoria. Fui ao Instituto Câmara Pestana com o boletim de vacinas do “animal agressor”, que mais tarde foi identificado pela polícia.
Bem, eu é que tive azar. O “Leão” nem era o animal mais perigoso da Federação, por aqueles tempos.

4 Comments:

Blogger Capitão-Mor said...

Peter Houtman!? Belas recordações de épocas de sofrimento pelo Sporting...
Se a memória não me falha, ele fazia parte do plantel da época do inglês Raphael Meade,correcto?
Kickboxing!? Não obrigado! De artes mais ou menos marciais, prefiro o kendô e até mesmo o sumo.
Abraço!

Aguardo contacto da amiga da prima! :)

8:58 da tarde  
Anonymous Luís Graça said...

O Houtman era um bacano e tínhamos um excelente relacionamento.
Dizia ele: "Eu não enganei ninguém quando vim para o Sporting. Sei que não sou um tecnicista puro. Preciso de bolas ao segundo poste, porque sou bom cabeceador".
E estava cem por cento correcto. Foi mais um belo avançado desperdiçado pelo Sporting.

Nessa altura eu andava "em cima" do Sporting, salvo seja. Não me lembro se o Ralph Meade era dessa equipa. Talvez fosse um pouco antes.

Lembro-me de ter havido uma confusão com outro avançado inglês, o Tony Sealy. Perguntámos-lhe se ele conhecia o Meade, em pleno restaurante "Lagosto Real". Ele percebeu "meat" e disse que preferia peixe. Eu e o Mário Pereira fizemos uma caixinha na entrevista de fundo, a descodificar o mal-entendido, cujo título era: "Esta foi Fish".

Eu gosto bastante de kick-boxing. Desde que o médico, o treinador e os atletas estejam conscientes do que fazem, a violência é controlada e a saúde do atleta é protegida.

Dia 4 de Maio vou estar com a minha prima em Lagos. Vou lá dar autógrafos nos livros da Polvo. Se não houver contacto antes disso, vou "apertar" com a prima, para ela "apertar" com a amiga.

Amanhã há a final da Taça de Voleibol (Benfica--Castêlo da Maia, Sport TV) e o Benfica--FC Porto em hóquei, final do campeonato.

Mas se calhar não posso ver nada, porque vou para casa da minha bi-designer (faz duas capas dos três livros que vou lançar a 17 de Maio) concluir o "De boas erecções está o Inferno cheio, king kong size, edição especial para masturbadores".

E vai haver lançamento no Salão Erótico. Escusei-me polidamente a ser júri do concurso de contos eróticos, porque o prazo de entrega é até 1 de Junho e podemos ter de ler dezenas de contos em dez dias. Muito apertado para mim, especialmente numa altura em que já estou a preparar as reportagens para o Salão Erótico e não sei como estão as coisas com os meus três livros, que foram lançados há um mês, por essa altura. E é preciso não esquecer que vou andar muito pela Feira do Livro, que começa a 24 de Maio e dura 15 dias.

Grande abraço.

7:48 da manhã  
Blogger Capitão-Mor said...

Bem sei, que não deves ligar para essas coisas, mas acabo de nomear este blogue com um dos meus cinco mais.
Abraço

8:13 da tarde  
Anonymous Luís Graça said...

Meu caro Capitão-Mor:

Partindo do princípio que não andamos aqui a trocar galhardetes e a dar pancadinhas nas costas entre amigalhaços (que certamente não é o que está a acontecer) só posso ficar satisfeito com a distinção. E grato.

Embora não tenha nada o espírito competitivo que caracteriza muitos bloggers, como bem adivinhaste.

O que tenho é objectivos bem definidos para o Ganda Ordinarice durante o Salão Erótico. Por motivos de necessidade. Estou completamente marginalizado como jornalista.

Invisto tudo na literatura, em três edições de autor simultâneas.

Por isso, o blogue vai ser o grande motor de divulgação. O que é legítimo. Pretendo recuperar o mais possível um investimento avultado. Mesmo com a generosidade dos amigos designers que trabalharam à borla e merecem toda a minha gratidão: Inês Ramos (duas capas) e Jorge Machado-Dias (uma capa). E respectivas paginações,claro!

Para já, vou lançar dois dos livros ("A mulher que fazia recados às putas e mais contos perversos" e "De boas erecções está o Inferno cheio, King Kong Size, edição especial para masturbadores") no Salão Erótico, a convite deles, o que é muito importante.

E já avisei a assessoria de Imprensa que isso não ia comprometer a minha isenção na cobertura do acontecimento, embora o código deontológico de um jornalista não obrigue um blogger. E no Ganda Ordinarice sou um blogger.

Mas os princípios éticos que me orientam são os mesmos. Escrevo é com muito mais liberdade, sem qualquer tipo de censura ou auto-censura. Divirto-me.

Embora vá trabalhar muito mais, em termos horários. Acho que vai valer a pena passar pelo Ganda Ordinarice de 20 a 24 de Junho.

Vais gostar, mesmo que eu esteja em baixo de forma, como agora, com todo o stresse dos livros e os sonos trocados.

Por isso mesmo, tenho empilhados no quarto jornais do mês passado, nem sei das coisas. Está um caos!
Era preciso ser muito rápido a trabalhar. Três livros ao mesmo tempo obrigam a um esforço grande de coordenação de uma série de coisas. E o "dito por não dito" da Casa Fernando Pessoa (relativamente ao local do lançamento) causou-me os mais variados prejuízos. Desde logo financeiros, irrecuperáveis os emocionais.

O lançamento será noutro local excelente. Desculpa-me não o divulgar na Net. Não pretendo que a Casa Fernando Pessoa venha a saber do lançamento por este blogue.

Continua tudo bem com o meu amigo Francisco José Viegas, mas da parte da "máquina" houve pessoas que desceram muito (mas mesmo muito!) na minha consideração.

Para acabar, fico muito satisfeito por saber que este blogue te dá prazer. Como livro ficou "encalhado". Mais um retrocesso. Quando comecei a escrever tinha editora, a meio já não tinha. E nada impede que venha a ter outra vez.

Enquanto isso, que possa ser um "local" aprazível para os leitores. E que possa matar as tão portuguesas "saudades" a uma pessoa que fisicamente está longe, como é o teu caso.

Para além de proporcionar esta tão agradável tertúlia na caixa de comentários.

Que acaba por ser a minha perdição e me faz ver nascer o dia agarrado ao computador!

Muitos amigos, muitos blogues! Não chego a todas!

2:14 da manhã  

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